sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Polícia Civil prende 14 pessoas do 'núcleo político' do Comando Vermelho e desarticula esquema que movimentou R$ 70 milhões

Falsa advogada presa no Piauí.
Celulares, eletrônicos, documentos, dinheiro em espécie e ao menos três veículos, incluindo um carro de luxo, foram apreendidos durante a operação Erga Omnes, deflagrada pela polícia civil do Amazonas para investigar a atuação do chamado “núcleo político” do Comando Vermelho no estado. As informações foram obtidas pela Rede Amazônica e ainda não há um balanço oficial da quantidade de bens apreendidos. Na operação, a polícia cumpriu 14 mandados de prisão, sendo oito deles no Amazonas. Entre os presos, estão a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus e um servidor do Tribunal de Justiça do estado.

Os bens foram apreendidos em endereços ligados aos investigados em Manaus. A polícia ainda investiga de que forma os bens eram usados na operação do grupo. Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.

As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação. Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.

Ao todo, oito pessoas foram presas no Amazonas e seis fora do estado. Confira quem são os detidos no AM:

- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. A polícia aponta que ele recebia pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos em segredo de Justiça, o que teria beneficiado o grupo criminoso;

- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. Relatórios de inteligência financeira indicam transações milionárias ligadas ao esquema;

- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida. A investigação diz que ela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção por meio de empresas de fachada;

- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro que movimentava valores suspeitos para a organização criminosa;

- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, apontado pela polícia como parte da rede de influência do grupo;

- Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo político investigado;

- Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído na lista de investigados pela operação;

- Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação no esquema.

Lucila Costa Meireles, presa em Teresina, no Piauí, também é apontada como integrante do núcleo político. Ela já exerceu cargos de assessoria parlamentar, inclusive na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e na Câmara Municipal de Manaus. Segundo a polícia, Lucila se apresentava como advogada sem ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e atuava como lobista do grupo. Mensagens analisadas indicam que ela e outra suspeita teriam pago propina a um servidor do Judiciário para obter e repassar informações de processos que tramitavam em segredo de Justiça.

Além das prisões, a Justiça expediu 24 mandados de busca e apreensão. Também foram autorizados bloqueio de contas, sequestro de bens e quebra de sigilo bancário. As ordens foram cumpridas em Manaus e nos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí. A polícia identificou movimentações financeiras das conexões operacionais do esquema nestes Estados durante investigações.

Do G1 AM.

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