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| Gilmar e Moraes. |
Decisões tomadas pelos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nas 48 horas seguintes ao primeiro turno passaram a ser interpretadas por integrantes do entorno de Flávio Bolsonaro como sinais de abertura ao diálogo com o grupo político. A leitura, relatada pela CNN Brasil, ocorre em um momento em que o PL articula medidas contra integrantes da Corte para 2027.
Entre as medidas está a decisão de Moraes que autorizou a progressão para o regime semiaberto de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”. Condenada a 14 anos de prisão por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, ela cumpriu, segundo a decisão, os requisitos legais para a mudança de regime. A Procuradoria-Geral da República já havia se manifestado favoravelmente à progressão em setembro.
Outro movimento envolveu o pedido para que Flávio Bolsonaro visite o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. A defesa do ex-presidente solicitou nova autorização depois do primeiro turno, e Moraes encaminhou o requerimento para manifestação da Procuradoria-Geral da República. Flávio estava impedido de realizar a visita até 11 de outubro em razão de decisão anterior do ministro.
Moraes também arquivou uma investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Ednardo Raposo. A decisão acolheu parecer da PGR, que considerou insuficientes as provas para oferecer denúncia. A Polícia Federal havia indiciado os quatro por suspeitas de obstrução de investigação de organização criminosa e incitação ao crime.
O quarto episódio envolve Gilmar Mendes. O ministro determinou o arquivamento de uma investigação contra Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro. A decisão atendeu a pedido da PGR, que apontou falta de provas e contradições nos depoimentos relacionados à acusação. Gaspar sempre negou a denúncia.
A proximidade temporal dessas decisões com o resultado do primeiro turno levou interlocutores da campanha de Flávio a interpretá-las como movimentos favoráveis a uma retomada do diálogo com integrantes do Supremo. Essa avaliação, porém, corresponde à leitura política desses grupos e não significa que as decisões tenham sido tomadas com essa finalidade.
O movimento ocorre paralelamente ao aumento das tensões entre o PL e integrantes da Corte. A legenda discute iniciativas no Senado contra Moraes e acompanha a atuação de Flávio Dino para decidir se também apresentará um pedido de impeachment contra o ministro em 2027. Nesse cenário, a relação entre o STF e o grupo político de Flávio Bolsonaro deverá continuar no centro das articulações após o segundo turno, enquanto decisões judiciais e movimentos no Senado avançam em frentes distintas.
Do Jornal Pequeno.

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