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| Prefeita de Buriti Bravo. |
A gestão da prefeita Luciana Borges Leocádio enfrenta forte desgaste político e social em Buriti Bravo, após denúncias de não pagamento do abono salarial aos profissionais da Educação, situação que servidores classificam como desvalorização da categoria, pela gestora que também é uma professora de formação. O cenário se agrava porque a prefeita é investigada pela Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos do Fundeb, fundo destinado justamente à manutenção da educação básica e à valorização de seus trabalhadores.
Professores e demais servidores da rede municipal afirmam que, apesar da entrada de recursos federais ao longo do exercício financeiro, o abono previsto em lei não foi pago, gerando revolta, insegurança financeira e questionamentos sobre a real aplicação das verbas educacionais. Representantes da categoria apontam que a falta de transparência e de diálogo com a gestão municipal aprofundou o sentimento de abandono e desrespeito.
A prefeita Luciana Leocádio é alvo da Operação Lei do Retorno, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que apura um suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos do FUNDEB, com prejuízo estimado em mais de R$ 50 milhões. A investigação envolve diversos municípios do Maranhão e do Piauí e mira gestores públicos, empresários e intermediários (saiba mais).
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura de Buriti Bravo e em endereços ligados à prefeita, incluindo sua residência em Teresina (PI), conforme noticiado por veículos como CNN Brasil e GP1. As autoridades investigam indícios de que contratos custeados com recursos da educação teriam sido superfaturados, com parte do dinheiro supostamente retornando aos envolvidos no esquema.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, os investigados podem responder por crimes como organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. As penas, somadas, podem ultrapassar décadas de prisão, a depender do grau de envolvimento de cada investigado. A investigação ainda está em fase de coleta de provas, incluindo análise de documentos, contratos administrativos, movimentações financeiras e quebras de sigilos autorizadas pela Justiça Federal.
O não pagamento do abono salarial aos profissionais da Educação chama atenção por ocorrer em meio a suspeita de mau uso dos recursos do Fundeb, cujo objetivo central é garantir investimentos na educação pública e a valorização dos profissionais do magistério. Para servidores, a situação evidencia uma contradição entre o volume de recursos recebidos pelo município e a realidade enfrentada nas escolas.
Em nota divulgada à época da operação, a Prefeitura de Buriti Bravo negou irregularidades, afirmando que os recursos da educação estariam sendo aplicados corretamente e que os materiais pedagógicos contratados foram entregues às unidades escolares. No entanto, não houve esclarecimento específico sobre o não pagamento do abono salarial aos servidores da educação.
A Operação Lei do Retorno integra uma ofensiva nacional da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) contra o desvio de verbas da educação básica. O caso de Buriti Bravo segue sob análise da Justiça Federal, que poderá determinar novas diligências, bloqueio de bens e outras medidas cautelares. Enquanto isso, servidores da Educação aguardam respostas concretas e cobram que os recursos públicos cumpram sua finalidade legal: valorizar quem sustenta a educação pública no município.
Confira:

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