sábado, 24 de janeiro de 2026

Secretário de Educação de Vargem Grande repudia retirada do nome de Raimundo Nina Rodrigues de Hospital

Biné Coelho.
O professor, poeta e atual secretário municipal de Educação de Vargem Grade Biné Coelho se manifestou, na manhã deste sábado (24), sobre a polêmica retirada do nome do médico vargem-grandense Raimundo Nina Rodrigues do hospital psiquiátrico de referência do Maranhão, por decisão do juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís.

Em sua decisão, o magistrado disse que “manter o nome de um dos principais propagadores do racismo científico no Brasil no frontispício de um hospital psiquiátrico — justamente o campo do saber que ele utilizou para estigmatizar a população negra, associando-a à loucura e à criminalidade — significa que o Estado reitera e valida essa visão de mundo”. O Governo do Estado agora tem 180 dias para atualizar placas, documentos oficiais, registros administrativos e sistemas de informação (saiba mais).

O professor questionou, ainda, se a Justiça também pretende retirar o nome do médico do município de Nina Rodrigues, vizinho de Vargem Grande. "Por que esse desrespeito? Não podemos aceitar calados essa decisão monocrática para retirar a homenagem a um dos maiores brasileiros nascidos aqui em nossa terra", concluiu.


BIOGRAFIA: Raimundo Nina Rodrigues (Vargem Grande, 4 de dezembro de 1862 – Paris, 17 de julho de 1906) foi um médico legista, psiquiatra, professor, escritor, antropólogo e etnólogo brasileiro. Notório eugenista, foi ainda dietólogo, tropicalista, sexologista, higienista, biógrafo e epidemiologista. Nina Rodrigues é considerado o fundador da antropologia criminal brasileira e pioneiro nos estudos sobre a cultura negra no país. Foi o primeiro estudioso brasileiro a abordar a temática do negro como questão social relevante para a compreensão da formação racial da população brasileira, apesar de adotar uma perspectiva racista, nacionalista e cientificista em seu livro Os Africanos no Brasil (1890-1905).

Veja mais detalhes no Instagram do Blog do Alpanir Mesquita:

Um comentário:

  1. A prática do cancelamento sempre existiu ao longo da história; a esse respeito, cumpre destacar o que
    Antônio Lopes, patrono do IHGM, já explicita, em texto de sua autoria integrado à obra "Antônio Lopes: Estudos Diversos" (1973), que “o Maranhão tem a admirável e invejada fortuna de ter esse ninho de águias, esse berço de talentos pujantes, essa terra que tantos varões ilustres têm dado à Pátria Maior [...]”. No entanto, observa o autor que o Maranhão “seja tão pouco propenso a galardoar os seus homens ilustres, quando vivos, ou mesmo a prestar-lhes, por meio de atos públicos, o culto à memória”.

    Na mesma reflexão, Antônio Lopes cita nomes fundamentais da intelectualidade maranhense e nacional, como Gonçalves Dias, João Francisco Lisboa, Sousândrade, Celso Magalhães, Aluísio Azevedo e Nina Rodrigues, entre outros, que, em algum momento de suas trajetórias, foram vítimas de processos de apagamento ou desvalorização pública.

    Assim, adotando a premissa expressa pelo Patrono da Casa, o IHGM sente-se no dever institucional e moral de lutar pela preservação da memória histórica, bem como pelo reconhecimento dos nomes ilustres da terra e da própria história do Maranhão. Dilercy Adler (IHGM)

    ResponderExcluir