segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Por que o comportamento das pessoas muda no Carnaval?

Paqueras, abraços e beijos entram na programação de qualquer um
que deseja viver um pouco do carnaval.
Uma das festas mais esperadas por grande parte da população está a ponto de começar oficialmente, mas as prévias espalhadas pelo Brasil já tiveram início mesmo quase na virada de ano. As fantasias mais diversas dão cores às ruas, nos bloquinhos carnavalescos, e parecem libertar os foliões para viver situações que, normalmente, não viveriam. Paqueras, abraços e beijos entram na programação de qualquer um que deseja viver um pouco do carnaval. Durante quatro dias, a diversão ocupa o espaço dos compromissos profissionais e abre espaço para muitas experiências, que podem ser positivas e inesquecíveis, mas também podem resultar em consequências preocupantes.

Mas, afinal, por que o comportamento das pessoas muda durante a festa momesca?

Com um ritmo de vida pesado, frenético, muita gente passa boa parte do tempo tentando conciliar os afazeres pessoais com os profissionais. Portanto, o carnaval seria uma espécie de válvula de escape, uma "licença-poética" a homens e mulheres, que são convidados à festa onde a alegria e a despreocupação são marcas importantes. É o que explica Carmen Campos, coordenadora do curso de Psicologia da Estácio São Luís.

“É como se a fantasia proteja cada um de nós dos julgamentos e das possíveis críticas. É exatamente nessa festa democrática que grande parte da população se liberta, sem se preocupar com a censura. É a hora em que o indivíduo se permite extravasar e ser diferente do que é nos outros dias do ano”, pontua a psicóloga.

Mesmo com essa liberdade coletiva, a especialista ressalta que é preciso ter cuidado em manter alguma coerência e equilíbrio entre quem se é o ano todo e o "personagem" escolhido durante o Carnaval. “Todas as experiências que não respeitam a essência podem ser traumáticas e deixar marcas difíceis de apagar”, alerta Carmen, que acrescenta: "O carnaval passa. Todo o resto fica".

Amor de carnaval

Nas prévias carnavalescas e no carnaval em si, surgem os conhecidos amores de carnaval, classificados assim por serem envolvimentos rápidos e intensos. É quando a paquera com trocas de beijos mais merecem atenção. O alerta, nesse caso, é com uma doença com uma nome bastante sugestivo: a doença do beijo, nome popular da mononucleose infecciosa.

O clínico geral Paulo Sampaio, do Hapvida Saúde, explica que a mononucleose infecciosa é uma doença contagiosa, causada por um vírus da família do herpes chamado vírus Epstein-Barr (EBV), transmitido por meio da troca de saliva e que afeta, principalmente, pessoas entre os 15 e os 25 anos de idade.

Entre os sintomas mais comuns da doença, estão febre, cansaço, dor de garganta e aumento dos linfonodos do pescoço (ínguas), sintomas que podem ser facilmente confundidos com uma faringite. Nas pessoas que desenvolvem esses sintomas, o período de incubação (intervalo de tempo desde o contato até o aparecimento dos primeiros sintomas da doença) dura, em média, de 4 a 8 semanas.

Outro alerta que o especialista deixa é o tempo em que o vírus permanece no indivíduo infectado. “O EBV fica na orofaringe da pessoa infectada por até 18 meses após a identificação da doença, podendo contaminar pessoas com quem mantenha algum contato íntimo, principalmente se prolongado. É por isso que a maioria das pessoas que desenvolve mononucleose não se recorda de ter tido contato com alguém doente: A própria pessoa que transmite o vírus também nem sequer imagina que ainda possa transmiti-lo”.

Para evitar a doença, o especialista deixa a dica: Evite variar tanto nas paqueras e nas trocas de carícias. “Essa ‘facilidade’ de se relacionar sem compromisso pode trazer consequências indesejadas. Contrair a mononucleose é uma delas, isso sem falar de outras doenças sexualmente transmissíveis. A saída mais responsável para evitar a infecção é escolher alguém para essa parceria diária prolongada, alguém em que se possa confiar. Claro que isso não é dará garantia de que não haverá contaminação, mas pode reduzir as chances, principalmente, se o(a) parceiro(a) tiver o mesmo padrão de comportamento. Quanto menos pessoas você beijar na vida, menor será o risco de infecção”, alerta Paulo Sampaio.

Por Safira Pinho/Cores Comunicação.

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