sábado, 4 de abril de 2026

Esquema do TJMA usava seguranças armados para cumprir decisões compradas

Operação Inauditus.
O esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal no Tribunal de Justiça do Maranhão não se limitava à negociação de decisões judiciais nos bastidores do tribunal. Segundo a apuração, os envolvidos recorriam a grupos de seguranças privados armados para garantir que as ordens judiciais obtidas mediante vantagens indevidas fossem efetivamente cumpridas no mundo real, criando uma cadeia que misturava poder judicial e coerção física em benefício dos integrantes do esquema.

Um dos episódios que integra o inquérito ilustra o nível de organização dessa estrutura paralela. Trata-se do cumprimento de uma ordem de reintegração de posse em área rural, conduzida por um oficial de Justiça que se fez acompanhar de aproximadamente 30 homens armados, identificados nos registros da investigação pelo nome de “guachebas”. Imagens da operação foram trocadas em grupos de aplicativos de mensagens e passaram a integrar o material apurado pelos investigadores.

A delação que serve de base para essa linha da investigação aponta que a decisão judicial que autorizou a reintegração de posse não foi obtida por vias regulares, mas mediante pagamento de vantagens indevidas. Há relatos de que o acordo que envolve esse episódio contemplava também a transferência de propriedades rurais, em um arranjo que beneficiaria diretamente integrantes do grupo investigado. 

O caso é analisado no contexto de um inquérito mais amplo que apura corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa dentro do Judiciário maranhense, investigação que levou a Polícia Federal a deflagrar a Operação Inauditus, com cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados em diferentes cidades do Maranhão e de outros estados (saiba mais).

Do Jornal Pequeno.

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