quinta-feira, 23 de julho de 2026

Maranhenses de Santa Helena são resgatados sem água, comida e pagamento em obra no Ceará

Trabalho análogo à escravidão.
Um grupo de 15 trabalhadores da construção civil foi resgatado em Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. Oriundos do Maranhão, eles não recebiam pagamento regularmente e eram mantidos em condições precárias, sem acesso à água potável e alimentação restrita, enquanto eram ameaçados a não denunciar o caso.

No entanto, a situação foi informada pelos próprios operários ao Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza (STICCRMF), que realizou o resgate na terça-feira (21). Quando foram encontrados, os homens estavam sem comer há mais de 24 horas.

Com a promessa de carteira assinada até o fim deste ano, cada um dos homens foi recrutado por indicação de conhecidos e, gradualmente, deixou o território de origem - a maioria de Santa Helena, a mais de 150km de São Luís - para atuar na construção de um condomínio na zona rural de Maranguape, a cerca de três quilômetros do Centro. O membro mais antigo do grupo desembarcou no Ceará em janeiro deste ano.

Contudo, ao chegarem ao canteiro de obras, foram surpreendidos com um vínculo informal terceirizado, em que os pagamentos eram proporcionais ao volume de trabalho; ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPI); e um alojamento em condições precárias, sem água encanada e poucos móveis. O caso é acompanhado pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE-CE), que averigua a possibilidade de atividade análoga à escravidão. A polícia civil também acompanha a ocorrência.

‘Quem não trabalhasse não comia’

No local, os 15 homens dispunham apenas de um reservatório d’água sujo, que era usado para consumo próprio e em tarefas domésticas, como banho e descargas, apurou a reportagem. Apesar dos imprevistos, os operários permaneceram atuando no canteiro de obras. Porém, há aproximadamente três meses, a situação mudou. O empreiteiro responsável pelos maranhenses começou a fornecer a alimentação, que até então era realizada no refeitório da obra. Entretanto, as três refeições diárias disponibilizadas pelo homem eram em menor quantidade.  

Na mesma época, também iniciou o atraso dos salários. Em paralelo, aumentava a pressão psicológica. Os funcionários relataram que o encarregado constantemente os ameaçava e os pressionava a não procurar a polícia ou o Ministério do Trabalho. Com medo, eles seguiram trabalhando. A situação atingiu o ápice nesta semana, quando o grupo não compareceu ao trabalho na segunda-feira (20). A ausência aconteceu um dia após os maranhenses se reunirem para comemorar o aniversário de um deles. Em reação, o empreiteiro suspendeu a alimentação naquele dia. 


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Do Diário do Nordeste.

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