sexta-feira, 3 de julho de 2026

Empresária e policial são denunciados por tortura e tentativa de homicídio contra doméstica grávida

Os dois foram denunciados.
O Ministério Público do Estado do Maranhão ofereceu Denúncia criminal contra a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial Michael Bruno Lopes Santos. Eles são acusados de tortura, tentativa de homicídio qualificado e tentativa de aborto contra Samara Regina Dutra Soares, de 19 anos, que estava grávida de seis meses na época dos fatos. O caso ocorreu em abril de 2026, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís (relembre).

TORTURA

De acordo com a peça acusatória, assinada pela promotora de justiça Nahyma Ribeiro Abas, Samara Soares havia sido contratada de forma verbal e temporariamente para prestar serviços domésticos na residência da empresária. Na manhã do dia 17 de abril, após ter sido acusada no dia anterior de ter roubado um anel, a vítima foi submetida pelos dois acusados a uma sessão de agressões físicas e mentais. O objetivo foi extrair uma confissão sobre o suposto furto.

Durante as agressões, o denunciado Michael Bruno Lopes Santos, portando arma de fogo, desferiu uma coronhada na testa da jovem, arrastando-a pelos cabelos. Além disso, a vítima foi obrigada a permanecer de joelhos, sob a mira da arma, enquanto sofria pressões psicológicas. Nesse contexto, os agressores ameaçaram também dopar a vítima para transportá-la ocultada em um veículo até um sítio, onde consumariam sua execução.

O anel foi localizado posteriormente em um cesto de roupas, evidenciando que o objeto jamais havia sido furtado, mas esquecido pela própria patroa. Mesmo após a joia ser encontrada, a empresária passou a desferir uma sequência de socos e tapas contra Samara, enquanto o policial a imobilizou. A jovem precisou curvar-se sobre o próprio ventre para proteger o feto.

PROVAS

A materialidade e a autoria dos crimes foram sustentadas pelo MPMA com base em exames periciais de corpo de delito, laudos que constataram perda auditiva na vítima e o histórico de acionamento da polícia militar via 190. A denúncia destacou, ainda, dois áudios apreendidos pela polícia civil nos quais a acusada Carolina detalhou a dinâmica da violência. Nas gravações, ela afirmou que deu “tanto nessa mulher que até hoje minha mão tá aqui inchada” e, ao ser questionada se a intenção era deixar a vítima com hematomas, relatou que “não era nem para ter saído viva”.

PEDIDOS

Diante das provas, o MPMA requereu que os acusados sejam levados a julgamento por Tribunal do Júri. Foram pedidas a manutenção da prisão preventiva e diligências complementares. O MPMA manifestou-se também contra o pedido de sigilo feito pela defesa porque a fase investigativa já foi concluída e o caso possui amplo interesse social e repercussão pública. Os denunciados Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e Michael Bruno Lopes Santos encontram-se recolhidos no sistema prisional do Maranhão.

Redação: CCOM-MPMA.

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